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"NITERÓI NOS TEMPOS DA DITADURA" Autor de livro homenageado na Câmara.







Os 40 anos da Lei de Anistia Brasileira, o lançamento do livro “Niterói na época da ditatura”, a entrega da Medalha Felisberto de Carvalho ao autor da obra e o depoimento de familiares e pessoas que viveram esse período, foram tema de sessão solene realizada, na última quinta-feira (05/09), na Câmara Municipal. Presidida pelo vereador Paulo Eduardo Gomes (PSOL) contou à mesa principal com o jornalista Anderson Carvalho, agraciado com a medalha; com Jourdam Amora, diretor-presidente do Jornal A Tribuna, preso no Caio Martins em 1964; Kátia da Matta Pinheiro, viúva do jurista João Luiz Duboc Pinaud, perseguido pela ditadura; Lygia Martins, filha do advogado Manoel Martins, também preso; e com o colega de bancada Renatinho do PSOL.

Paulo Eduardo Gomes disse que “um povo sem memória está fadado a cometer os mesmos erros” e que “interesses internacionais levaram a que fossem cometidos crimes graves que, 55 anos depois, ainda enlutam famílias e faz com que tenhamos uma diferença muito grande entre os mais ricos e os mais pobres”. O vereador aprovou na Câmara a concessão do Título de Cidadão Niteroiense Post Mortem para Fernando Santa Cruz, pai do atual presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Fernando desapareceu depois de ser preso por agentes da repressão.

As professoras Lygia Martins e Kátia Pinheiro deram depoimento sobre as perseguições sofridas por seus familiares e Jourdam Amora lembrou das dificuldades para manter o Jornal A Tribuna em circulação naquela época. O grande homenageado da noite, Anderson Carvalho, emocionado ao receber a Medalha Felisberto de Carvalho, contou um pouco sobre a ideia para escrever o livro.

- Comecei a fazer uma série de reportagens sobre os sobreviventes de 64 com atuação em Niterói. Me deparei com um material tão rico que tive vontade de perpetuar esse material em livro. A partir dali comecei a pesquisar mais no Arquivo Nacional, no arquivo da Câmara, em jornais antigos e a ouvir mais pessoas. Descobri, por exemplo, que o vereador José Maria Cavalcanti foi o primeiro cassado em Niterói. Mostro no livro que a 76ª DP foi sede do DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), que a Fortaleza de Santa Cruz, o Estádio Caio Martins e a Base de Hidrografia da Marinha, na Ponta da Areia, serviram como prisões – revelou o jornalista.

Texto Eduardo Garnier – ASCOM CMN